Os quilombolas com liberdade - AMES

2

Como legado de sua história, o Brasil carrega uma grande mancha de vergonha. Por 388 anos os africanos foram explorados, maltratados e escravizados dentro do nosso território, deles foi tirado os direitos comuns entre os demais cidadãos.

Durante esse período, muitos escravos conseguiram fugir de seus senhores, largando seus trabalhos nos engenhos de cana-de-açúcar e fazendas, e se refugiando em pequenos vilarejos. Aos poucos o número de escravos que conseguiam fugir foi aumentando, proporcionalmente aumentava o tamanho desses vilarejos, que mais tarde passaram a ser chamados de Comunidades Quilombolas.

Mesmo com o fim da escravidão, mais de duas mil comunidades quilombolas espalhadas pelo território brasileiro mantêm-se vivas e atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras, consagrado pela Constituição Federal desde 1988.

Os quilombolas no Sertão

A Comunidade de Vila Céu, localizada em Juazeiro no semiárido Baiano, é um exemplo de vilarejo quilombola. Nela, vivem cerca de 40 pessoas que ainda hoje sofrem com a perseguição e com preconceito racial.

Entendendo a necessidade de apresentar Jesus para esse povo, o missionário Ronildo Benedito da Silva, 44, tem realizado um trabalho específico e direcionado para esse grupo étnico. O trabalho já tem gerado frutos, pelo menos metade das pessoas da comunidade de Vila Céu já frequentam a igreja que fica localizada em Marruá, comunidade do município de Juazeiro.

Edvânia, moradora de Vila Céu, destaca a importância do trabalho missionário na região: “Eu agradeço a Deus por ter enviado esses missionários para o Sertão. Ter aceitado a Jesus foi a melhor coisa que já fiz. Depois que o evangelho chegou nossas vidas mudaram, nossas casas agora têm paz, harmonia e alegria.”

O avanço missionário no Sertão

O missionário Ronildo também tem trabalhado na evangelização dos demais sertanejos. Hoje, ele é responsável por uma igreja na comunidade de Marruá, onde frequentam cerca de 200 pessoas. Além disso, assiste semanalmente outros 10 vilarejos, são eles: Cruz 2, Alegre, Campestre, Beira Rio, Goiabeira, Gangorra, Panelas, Bacia, Pau Preto e Junco.

Comunidade de Marruá

A comunidade rural de Marruá fica localizada no município de Juazeiro – BA. O município sofre com altos índices de pobreza, segundo dados analisados, 97.177 pessoas vivem com menos de R$255,00 por mês, e outras 15.075 com menos de R$70,00.

Na educação, o descaso fica ainda mais evidente, 22% das crianças do município não tem acesso a escola.

A pedido da AMES, o IAV, Instituto Água Viva, realizou uma pesquisa dentro de comunidade de Marruá. Segundo os dados obtidos 28% consideram que o principal problema que encontram está associado a saúde precária, e outras 20% citaram o alcoolismo como principal problema social da região.

Alfabetização de jovens e adultos

Entendendo a importância de transformar a vida do sertanejo como um todo, os missionários têm investido esforços na alfabetização de jovens e adultos da região.

No município de Juazeiro a taxa de abandono escolar atinge números alarmantes, 40% das pessoas entre 18 a 24 anos passaram por esse processo. E aproximadamente 80% dos moradores da comunidade de Marruá não dominam a escrita.

“A Márcia, minha esposa, está com um projeto de alfabetização de pessoas da comunidade. Isso mudaria tudo. Quando eles aprenderem a ler conseguirão estudar e meditar na palavra de Deus”, disse o missionário.

O Ide de Jesus foi para que alcançássemos toda criatura. Os povos étnicos precisam conhecer Cristo.